Quando a chuva vem

Mal pude ouvir as gotas de chuva estaladas no telhado e ela já havia cessado. Tão rápido quanto veio, foi embora.  Como nós, o céu de vez em quando precisa desabar suas emoções. E desaba de um modo que me desfaz por dentro. Que me desfaz e me rega, gota a gota.

Enquanto os galhos secos tornam-se cacos do desabamento do meu eu, novas sementes germinam no bosque pela chuva que cai. Invento, fantasio, floreio minha realidade tornando-a um pouco mais suportável.

Então a chuva retorna. Mais forte, mais bruta, mais fria. Seus pingos tocam a terra, tocam minha pele e inundam-me, reconstruindo o que havia sido devastado. Tudo isso tão rápido como a chuva vem.

(Isadora Bersot)

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