Felicidade

Telefonema fora de hora. Mensagem inesperada. Abraço apertado. Desencontro encontrado. Surpresas acertadas. Erros perdoados. Sonho realizado .
É tudo felicidade.

Isadora Bersot

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Rascunhos perdidos

Essa vida é mesmo uma novela. Um capítulo mal termina e já ansiamos pelo próximo – aliás, depende…

Algumas coisas são previsíveis, como a mocinha ficar com o galã, mas outras são surpresas, como o vilão se dar bem no final às custas dos outros personagens.

A vida é assim também, se desenrola dia após dia – ou se enrola ainda mais pra aqueles que gostam de uma aventura. Não sei se é de barbante, se é linha de pipa ou de costura, mas no final, acabamos entrelaçando nosso eu e formando um nós qualquer com um outro eu perdido no meio do caminho. Esse nós volta a ser um eu, mas duplo, porque é um formado por dois.

É tanta reviravolta que a vida e o mundo dão que no final mesmo é tudo incerto – é tudo surpresa. Viva para torná-las agradáveis e felizes.

Isadora Bersot

Coração, saudade e tempo

Meu coração é grande, mas pequeno pra tanta saudade. 

Saudade é dor que incomoda, já dizia um poeta. Como quase tudo na vida, a saudade também é um paradoxo: se a temos, é porque lembramos de coisas boas, mas é ruim do ponto em que não podemos apertar return e voltar no tempo.

Outro carinha chato é esse tal do tempo. Ah… tanta coisa muda com ele. Traçar planos é quase garantia de que nenhum deles vai acontecer de acordo com o esperado. O tempo – crono ou psicológico – muitas vezes não respeita nem um pouco a lógica individual que carrega no nome.

Ele é imprevisível. Inalterável. O que passou já foi e o que agora está já vai. A vida é de fato um piscar, curto pra uns e muito longo para outros. Sem pressas, sem cobranças, sem expectativas demasiadas, sem vícios; viva.

Com o coração pequeno ou com a saudade grande, aproveite a vida – o seu piscar e abrir de olhos.

 

Isadora Bersot

Limites quase-definidos

Mas olha a novidade: eu, que sempre tive meus limites tão bem definidos, encontrei alguém que consegue ultrapassá-los mesmo sem perceber. Isso me assusta.

Assusta porque eu sempre estive muito certa de tudo, cheia das minhas convicções e saber que essas linhas não são tão definidas pra mim mais, graças a você, é bem estranho.

É aquela velha história de que há sempre uma exceção que quebra toda a regra. Impus a mim mesma um monte delas – e não pergunte os porquês –  pra você chegar e acabar com tudo assim? Sem anestesias ou aviso-prévio?

Te apresento uma proposta: já que não ligou de descartar os meus limites, me deixa ser recíproca e descartar os seus também?

Isadora Bersot

Fica

“Entra ou sai, não esquece de fechar a porta. ” Disse eu, inconsequente.
E você saiu. E deixou a maldita fresta aberta.

Pra que?  Pra eu lembrar de ti ao observar esse pequeno raio de luz? Pra lembrar que eu via em mim um brilho percebido por ti, e que agora perdeu seu reflexo até mesmo em frente ao espelho?

Se eu voltasse no tempo teria dito outra coisa… Ah, eu não tenho esse poder. Não vou me martirizar criando mais (im)possibilidades. Eu te dei a escolha e você escolheu o lado que não tinha ‘eu’. Aquele que era só s(eu).

Não tenho mais sua luz, decidi-me aquecer enquanto posso em seus rastros finais que –  ainda – permanecem vivos. Minha memória seletiva fará o favor de exclui-lo brevemente. São seus últimos instantes. Ainda há uma chance. Fica.

 

(Isadora Bersot)

Partes

O cérebro racionaliza

Os dedos tateiam em busca do toque que desapareceu

O coração sente falta

A boca declara o amor e grita a dor

Os pés correm ao encontro do inalcançável

Os braços abraçam o vazio que ficou

Os olhos – continuam – transbordantes

(Isadora Bersot)